segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Eu não saberia.

Se todo dia tivesse sol,
Eu não gostaria tanto dele quanto num dia de chuva.
Se todo mar inundasse o mundo,
Eu não saberia o quanto é dura a terra seca.
Se todo dia eu saísse por aí,
Eu não saberia que estar em casa também é estar por aí.
Se eu sempre permanecesse ao teu lado,
Eu não saberia a falta que tu me fazes.


(Zanco, o Cultivador)

Não que amar seja...

O teu cuidado
O meu cuidar
Assim em contenção
Um de cada lado
Sentir e faltar
Correr de emoção e não ficar calado.
Dizer que amar, não é solidão...


(Zanco, o Cultivador)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009


A prova é verídica. O que acontece vira passado, num instante não existe mais, apenas existiu. O novo que acontece fica velho enquanto existe e na floresta mau cheirosa de musgo velho, um leprechaum com sua cartola longa e o cachimbo asceso. Ele observa o cerscimento veloz de cogumelos dourados. Ao colher 3, degusta 1 e assim ele observa o instante que não existe mais, apenas existiu.
(Zanco, o Cultivador)

terça-feira, 1 de setembro de 2009


C
E
N
A
R
I
O

D
O

I
N
F
E
R
N
O
O Cenário: caixas de feira empilhadas, algumas encharcadas de querosene. Em cima de outras caixas alimentos secos, (cenouras, beterrabas, alfaces e outras hortaliças), uma estufa ligada na potência máxima. O personagem extremamente vermelho entra suando muito, com um passo como se derretendo.
- Vejam aonde chegamos! Nunca se imaginou que a terra era o próprio inferno. Falaram de profecias de que o mundo ia acabar, de que o ser humano iria encontrar a redenção, que cairia fogo dos céus, outros falaram em mudar pra outros planetas habitáveis (já haviam encontrado vestígios de que isso existia). Todos pensaram que tudo poderia seguir como estava que como estava... tava bom. Os anos se passaram. O que chamavam de “aquecimento global”, (uns tantos na época até acharam que era reversível), acabou nisto. Meus avós foram os seres mais burros e ignorantes que existiu. Donos de grandes empresas, de muitas extensões de terras, me diziam que o mundo era dos espertos... hum, dos espertos... O mundo é de ninguém, mas pra eles não, meus avós acharam-se donos do mundo, um deles até congelou o corpo na esperança de que a criogenia, a “crio-ego-inchado” resultaria na vida eterna. Depois da 3ª tsunami era tanto corpo boiando pelo mundo que o ser humano se deu conta do que significa ter trilhões de pessoas encaixotadas em apartamentos, deu pra cobrir boa parte do globo. Era tanto lixo, tóxico, atóxico, hospitalar, menstrual, inodoro e insípido que muitos morreram de tanto vomitar, dava pra ver seus intestinos se confundindo com a língua. As partes alagadas ficaram fétidas em pouco tempo, o lixo e os corpos apodrecendo infectaram a água com tantas doenças que dos peixes que haviam, nem os carnívoros sobraram. Urubu sim, isso ainda tem muito e tem que se cuidar!!! (tem um momento de surto, fugindo de monstros imaginários, põe fogo em uma das caixas). O pouco de terra que sobrou, está infestada de pragas, que os transgênicos criaram, ou que criaram com os transgênicos, sobrou alguns legumes secos, que hoje é iguaria das mais disputadas. (recolhe um dos legumes das caixas, e oferece ao público). - Servidos?! (põe fogo em outra caixa). Ontem, vinha por esta estrada com um amigo, ele estava muito mal. Tinha uma dessas hereditárias,... claro que é doença, hoje todos tem alguma. Eu por exemplo tenho um tipo de leptospirose que faz o corpo secar aos poucos anos, vira uma folha ao sol. Mas ele não, o coitado tinha o mau da vaca loca. Mais uma novidade que não foi contada pelas empresas de alimentos na época dos transgênicos. Agora o que me resta é só seguir por esta estrada, e esperar pra saber se além disto ainda existe um inferno, e vocês querem seguir esta estrada comigo? (coloca fogo em mais dois caixotes e sai)



(Zanco, o Cultivador)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Manifesto da Geração Robocop



Somos uma geração adormecida que se acomodou à tecnologia, fazendo dela a desculpa para não fazer coisa alguma. Estamos perdidos e sem voz, calados em um coma induzido. Primeiro pelo conformismo de nossos pais que nos querem doutores, advogados ou até mesmo ladrões que roubam possibilidades, por que temos que nos educar em instituições falidas e que também se encontram em torpor pelo nosso comodismo, que por uma posição na atual sociedade tecnocrata, usurpa qualquer um que se determine como concorrente.
Abandonamos os verdadeiros conceitos e ações da juventude. Estamos atolados até o pescoço numa poça de lama. A lama do descaso, da escuridão que cega nossos olhos.
Estamos tentando nos retratar nas artes, mas a coisa mais original que conseguimos expressar é o vazio de uma geração, que acha estar fazendo algo novo ao misturar tudo o que é velho e que não corresponde mais a profunda necessidade do cidadão moderno. Isso porque tudo que é necessário hoje em dia é o consumo de uma parafernália material e industrializada.
Apegados a antigas revoluções que hoje não passam de história, se envolvendo em movimentos sociais, mais por um descargo de conciência do que por acreditar na mudança.
Ora!!! Se não conseguimos mudar nem a nós mesmos, como mudar uma sociedade oprimida. Somos opressores de nós mesmos sem ao menos dar-se conta.
O capital comprou nossa revolução e a necessidade nos fez escravos da esperança.
A fome e a violência, nós as tornamos cotidianas, porque só ficamos sentados assistindo tudo pela tevê. Estamos sendo assassinados pela proliferação do crack, bem mais acessível que outras drogas usadas por nossos ancestrais para transcendência e para cura.
Somos a geração cega, surda e muda. Somos a geração Robocop, sem sentimentos e poucas reações, e ainda tem parte de nós sofrendo lavagem cerebral dentro das igrejas. Meros reprodutores que estão sendo condicionados à aumentar o dízimo atavés do próprio sofrimento, anestesiados pelas palavras ditas a dois mil anos.
Quem somos nós afinal? Onde estamos econdidos? Porque estamos escondidos?
Vamos nos juntar, ascender uma nova conciência, mudarmo-nos por dentro. Assumir quem somos, descobrir o que queremos e então acordar dessa amnéisa coletiva!

(Zanco, o Cultivador)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

roda vida


A vida é uma grande engrenagem cheia de engrenagens menores, cada uma girando para seu lado, cada uma com sua velocidade, cada uma com seu tamanho, seu número de dentes. O homem é o pó que com o tempo vai se depositando ali e que num sopro, fica pairando no espaço e assim se multiplica e volta a depositar-se sobre a engrenagem, até ter tal densidade “demonstrográfica” que o movimento mecânico natural dos diversos dentes que se encaixam, para.


(Zanco, o Cultivador)

Hai-Kai ou não cai?

A sacola plástica do mercado
voa leve pelo vento da primavera
deixando sujeira onde pousar.

Zanco, o Cultivador

domingo, 2 de agosto de 2009

Stou ao teu lado.

Igual a você.
Igual ao outro ao seu lado.
... de onde vem esse sol
num dia nublado?
Dentro do mim
eu sou igual a você.
Sente aqui. Venha ver este outro lado.
(Zanco, o Cultivador)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

interior






Estou aqui no interior, cultivando lagartas, espalhando borboletas pelo ar.


(Zanco, O Cultivador)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

glossolálias


ratara ratara ratara

atara tatara rana

otara otara katara

otara retara kana

ortura ortura konara

kokona kokona koma

kurbura kurbura kurbura

kurbata kurbata keyna

pesti anti pestantum putara

pest anti pestantum putra


Artaud

A casa é o corpo.

cuando ya me empiece a quedar solo...

Tendré los ojos muy lejos y un cigarrillo en la boca, El pecho dentro de un hueco y una gata medio loca. Un escenario vacío, un libro muerto de pena, Un dibujo destruído y la caridad ajena. Un televisor inútil eléctrica compañía, La radio a todo voulumen y una prisión que no es mía. Una vejez sin temores y una vida reposada, Ventanas muy agitadas y una cama tan inmóvil. Y un montón de diarios apilados y una flor cuidando mi pasado Y un rumor de voces que me gritan y un millón de manos que me aplauden Y el fantasma tuyo, sobre todo cuando ya me empiece a quedar solo...
(Sui Generis)